Femmes écrivains et représentation du féminin dans le “ Romance de 30 ” au Brésil

par Giulia Manera

Projet de thèse en Langues, littératures et civilisations romanes : Portugais

Thèses en préparation à Paris 10 en cotutelle avec l'Universidade de São Paulo (Brésil) , dans le cadre de Ecole doctorale Lettres, langues, spectacles (Nanterre) depuis le 20-09-2011 .


  • Résumé

    Les années 30 représentent un moment fondamental dans le processus culturel et identitaire du Brésil, où la fonction sociale de la littérature, notamment du roman, et le rôle de l’écrivain en tant que ‘conscience vivante’ du pays sont reconnus et problématisés. Cependant, dans la majorité des histoires, des anthologies et des manuels littéraires, aucun nom de femme ne figure parmi les auteurs canoniques de la période, à l’exception de celui de Rachel de Queiroz. L’analyse des sources de l’époque montre que, au contraire, auteures comme Lúcia Benedetti, Jenny Pimentel de Borba, Làsinha Luís Carlos de Caldas Brito, Maria José Dupré, Ondina Ferreira, Emi Bulhões Carvalho Fonseca, Ignez Mariz, Carolina Nabuco, Lúcia Miguel Pereira, Dinah Silveira de Queiroz, Tetrá de Teffé et bien d’autres sont publiées, lues et appréciées par la critique et le public. A partir d’une étude du contexte historique et littéraire, ainsi que de la réception et des aspects éditoriaux, les mécanismes qui ont permis leur effacement de la mémoire sont démontés et expliquée leur non intégration à la tradition littéraire brésilienne. La lecture des romans de ces auteures permet d’approfondir le discours sur la participation des femmes au moment littéraire et social des années 30 et 40 par une analyse des représentations. Les personnages qui peuplent ces ouvrages, et notamment les personnages féminins, sont un objet idéal pour analyser les phénomènes identitaires qui caractérisent ce moment historique avec ses contradictions.

  • Titre traduit

    Female Writers and the Representation of Women in Brazil’s “ Romance de 30 ”


  • Résumé

    The 1930’s represent a fundamental period in the development of Brazil’s culture and identity, as a time during which the social function of literature, specifically the novel, and the role of the author as the “living conscience” of the country are found and problematicized. However, in the majority of stories, anthologies, and literary manuals, not one female author’s name is found among the canonic authors of the period, with the exception of Rachel de Queiroz. The analysis of sources from the era demonstrate that, on the contrary, female authors such as Lúcia Benedetti, Jenny Pimentel de Borba, Làsinha Luís Carlos de Caldas Brito, Maria José Dupré, Ondina Ferreira, Emi Bulhões Carvalho Fonseca, Ignez Mariz, Carolina Nabuco, Lúcia Miguel Pereira, Dinah Silveira de Queiroz, Tetrá de Teffé and many others were published, read, and appreciated by the critic and the public. Following the examination of the historical and literary context of these writings, as well as their reception and editorial aspects, the mechanisms which allowed for their deletion from memory are dismantled, explaining the lack of integration of these writings in the Brazilian literary tradition. Reading and analyzing the representations of these female authors’ novels allows for the expansion of the discourse on the participation of women in the literary and social era of the 1930’s and 1940’s. The characters, notably the female ones, which populate these works are an ideal subject for the analysis of phenomena of identity which characterize this historical time period, along with their contradictions.

  • Titre traduit

    Mulheres escritoras e representação do feminino no « Romance de 30 » no Brasil


  • Résumé

    Os anos 30 representam um momento fundamental no processo cultural e identitário do Brasil, onde a função social da literatura, especialmente do romance, e o papel do escritor como « consciência viva » do país são reconhecidos e problematizados. Contudo, na maioria das histórias, antologias e manuais literários, nenhum nome feminino figura entre os autores canônicos do período, com a exceção de Rachel de Queiroz. A análise das fontes da época mostra que, pelo contrário, autoras como Lúcia Benedetti, Jenny Pimentel de Borba, Làsinha Luís Carlos de Caldas Brito, Maria José Dupré, Ondina Ferreira, Emi Bulhões Carvalho da Fonseca, Ignez Mariz, Carolina Nabuco, Lucia Miguel Pereira, Dinah Silveira de Queiroz, Tetrá de Teffé e tantas outras foram publicadas, lidas e apreciadas pela crítica e pelo público. A partir de um estudo do contexto histórico e literário, bem como da recepção e dos aspectos editoriais, os mecanismos que permitiram o desaparecimento de tais autoras da memória são desmontados, explicando sua falta de integração à tradição literária brasileira. A leitura dos romances destas autoras permite o aprofundamento do discurso sobre a participação das mulheres no contexto literário e social dos anos 30 e 40 através de uma análise das representações. As personagens que povoam estas obras, especialmente as personagens femininas, são um objeto ideal para analisar os fenômenos identitários que caracterizam este momento histórico e suas contradições.