Systémique du Verbe Portugais : aspects, modes, temps, personne, voix.

par Jose Manuel Catarino Soares

Thèse de doctorat en Sciences du langage

Sous la direction de Alvaro Rocchetti.

Thèses en préparation à Paris 3 , dans le cadre de École doctorale Langage et langues (....-2015 ; Paris) , en partenariat avec Langues romanes : acquisition, linguistique, didactique (equipe de recherche) depuis le 01-10-2004 .


  • Résumé

    Cette thèse consiste à décrire et à expliquer le système verbal portugais, lequel est un système de représentation dicible du temps sous n signifiés puissanciels, tous différents les uns des autres, qui alternent en circuit fermé. L’explicandum – les faits à expliquer – ce sont, en l’espèce, les paradigmes de conjugaison du verbe, l’inventaire de ses formes sémioplastiques par le menu (radicaux, indices thématiques, affixes, désinences), qui empruntent leur matérialité à la parole et à l’écriture et, de façon complémentaire, les valeurs d’emploi diverses desdites formes dans le discours. L’explicans – le fait explicateur – c’est, en l’espèce, le système opératif, le psychomécanisme qui assemble les signifiés de ces formes et fait de leur réunion un entier cohérent où se totalise le jeu complexe de leur relativité réciproque, et qui n’est du reste un entier que par l’effet de cette totalisation. Il faut bien se persuader que le système n’est pas découvert, reconstitué et, partant, expliqué, aussi longtemps qu’on n’en comprend pas clairement le modus operandi, le psychomécanisme créateur. Dans le cas du système verbal, le psychomécanisme créateur est celui qu’on a dénommé chronogénèse. De là, un ensemble de catégories verbales qui sont toutes d’ordre temporel, hormis celle de la personne cardinale (une catégorie spatiale). Pour autant, la personne cardinale joue un rôle très important dans la chronogénèse par le biais de l’intitulation variable de rang et de dynamie qui lui sont imparties pour s’acquiter convenablement de sa fonction de sujet (/support spatial) de l’événement représenté par le verbe. Aspect, mode, « temps » (plus précisément, temporama), ainsi que personne et « voix » (pour mieux dire, diathèse), ne se référent pas, comme le suggèrent ou l’affirment de nombreux auteurs, à des phénomènes disparates ou, au mieux, faiblement interreliés, mais aux phases internes d’un psychosystème de nature unique dont l’opérativité échappe au contrôle de la conscience des énonciateurs : la chronogénèse.

  • Titre traduit

    The Chronogenetic System of the Portuguese Verb : aspect, mood, tense, person, voice


  • Résumé

    This dissertation aims at describing and explaining the Portuguese verbal system, which is a system of sayable representations of time consisting of n potential significates, all distinct from one another, which alternate in a closed circuit. The explicandum – the facts to be explained – is, in this case, the paradigms of the conjugation, the overall inventory of its word-signs in detail (stems, inflexions and the like), as they manifest themselves in speech and writing, as well as the diverse senses expressed by these word-signs in discourse. The explicans – the explanatory fact – is, in this particular case, the operative system, the psychomechanism that brings the significates of these forms together in a coherent whole through the interplay of their related senses to express their full purport, which in fact does form a coherent whole only because of the operation that assembles them. The point is that the system cannot be discovered, reconstituted, and hence explained, until one understands its modus operandi, its constructive psychomechanism. In the case of the verb system, the constructive psychomechanism is the one called chronogenesis. It gives rise to a set of verbal categories all of which are temporal, except cardinal person (a spatial category) actualized to give the subject’s rank (1st, 2nd, 3rd) and its degree of control over the accomplishment of the event, thus providing a spatial support for the event signified by the verb. Aspect, mood, tense, as well as person and « voice » (or better, diathesis) do not refer, as it is widely taught or suggested, to disparate phenomena interconnected only in a desultory fashion but rather to different phases of a single psychosystem whose operation is beyond the conscious control of speakers: chronogenesis.

  • Titre traduit

    O Sistema Cronogenético do Verbo Português : aspecto, modo, tempo, pessoa, voz


  • Résumé

    Esta tese visa descrever e explicar o sistema verbal português, que é um sistema de representação dizível do tempo através de n significados potenciais, todos diferentes uns dos outros, que alternam em circuito fechado. O explicandum – os factos a explicar – são, neste particular, os paradigmas de conjugação do verbo, o inventário das suas formas semioplásticas examinadas em pormenor (radicais, índices temáticos, afixos, desinências), tal como se manifestam na fala e na escrita, e, de maneira complementar, os diversos sentidos que as ditas formas expressam no discurso. O explicans – o facto explicador – é, neste particular, o sistema operativo, o psicomecanismo que agrupa os significados dessas formas e que faz da sua reunião um todo coerente onde se totaliza o jogo complexo da sua relação recíproca, e que só forma aliás um todo coerente graças a esse efeito de totalização. Há que ter em consideração que o sistema só pode ser descoberto, reconstituído, e por conseguinte explicado, quando se compreende claramente o seu modus operandi, o seu psicomecanismo criador. No caso do sistema verbal, o psicomecanismo criador recebeu o nome, bem apropriado, de cronogénese. Daí, um conjunto de categorias verbais que são todas de ordem temporal, excepto a de pessoa cardinal (uma categoria espacial). Não obstante, a pessoa cardinal desempenha um importantíssimo papel na cronogénese, em virtude da intitulação variável de escalão e de dinamia que recebe para cumprir a preceito a sua função de sujeito (/suporte espacial) do acontecimento representado pelo verbo. Aspecto, modo, « tempo » (mais precisamente, temporama), assim como pessoa e « voz » (melhor dizendo, diátese), não se referem, como tem sido frequentemente ensinado ou sugerido, a fenómenos avulsos ou, no melhor dos casos, frouxamente interligados, mas às fases internas de um único psicossistema cuja operatividade escapa ao controlo da consciência dos enunciadores: a cronogénese.