Le Code Forestier brésilien : genèse et institutionnalisation

par Marion Eva Daugeard

Thèse de doctorat en Géographie

Sous la direction de François-Michel Le Tourneau et de Marcel Bursztyn.

Thèses en préparation à Paris 3 en cotutelle avec l'Universidade de Brasília , dans le cadre de École doctorale Europe latine et Amérique latine (Paris) , en partenariat avec Centre de recherche et de documentation sur les Amériques (laboratoire) depuis le 04-11-2014 .


  • Résumé

    Le Code Forestier, ou « loi de protection de la végétation native », est aujourd’hui le principal texte réglementant l’usage de la végétation dans les propriétés et les occupations de terres au Brésil. Connu pour avoir été l’objet de tensions et de polémiques dans l’Histoire récente, il est surtout longtemps resté inappliqué. Si les origines du Code Forestier sont anciennes, son contenu n’avait jamais véritablement fait l’objet d’un réel débat démocratique jusqu’aux années 1980. Il fait à cette période l’objet d’une attention nouvelle, dans un contexte où les questions environnementales deviennent des enjeux importants, et où la déforestation amazonienne commence à faire l’objet d’une plus grande couverture médiatique. Dans cette thèse, nous proposons d’étudier le processus d’institutionnalisation du Code Forestier, à savoir sa transformation progressive depuis une conception émanant du pouvoir central et sans réel support de la population, vers un enjeu social et économique partagé dont chaque acteur (au sens de stakeholder) cherche à en influencer la définition. En considérant le Code Forestier comme une institution, ou plutôt en cherchant à questionner s’il en est véritablement devenu une, et en proposant d’observer son Histoire comme un processus de construction sociale, cette thèse propose une approche originale du texte et fournit un éclairage utile pour mesurer les changements en cours à l’heure actuelle (2021). À partir d’une étude approfondie de la législation et d’une série d’entretiens menés dans l’État du Mato Grosso et à différentes échelles, nous revenons sur la genèse du Code Forestier, nous proposons une analyse détaillée du contenu des nouvelles règles issues de la dernière réforme (2012), et nous évaluons sa mise en œuvre. Si des avancées vers l’institutionnalisation du texte sont notables, nous verrons que le processus reste pour l’heure inachevé.

  • Titre traduit

    The Brazilian Forest Code : genesis and Institutionalization


  • Résumé

    The Forest Code, or “The Native Vegetation Protection Law”, today is the main text regulating the use of vegetation on properties and occupied lands in Brazil. Known for creating tensions and arguments in recent History, it has not been applied for the most part for a long time. Though the origins of the Forest Code are old, its content has never really been part of a real democratic debate until the 1980s. During that period, it was looked at in a new way, at a time when environmental issues had become a real concern, and where the deforestation of the Amazon had received wider media coverage. In this thesis, we study the process of institutionalizing the Forest Code, that is to say its gradual transformation from a conception by the central government, without real support from the population, to a shared social and economic concern in which each stakeholder tries to influence its definition. By looking at the Forest Code as an institution, or rather by seeking to challenge whether it has actually become one, and by proposing to study its history as a process of social construction, this thesis introduces a novel approach of the text and provides needed clarification to measure the changes that are currently happening (2021). Using the in-depth study of the legislation and a set of interviews done in the State of Mato Grosso, at different scales, we draw back to the genesis of the Forest Code, present a detailed analysis of the content of the new rules that came from the last reform (2012), and evaluate its implementation. Though advances towards institutionalizing the text are significant, we show that the process remains unfinished to date.

  • Titre traduit

    O Código Florestal brasileiro : gênese e institucionalização


  • Résumé

    O Código Florestal, ou “Lei de Proteção da Vegetação Nativa”, é hoje o principal texto que regulamenta o uso da vegetação nas propriedades privadas e posses de terras no Brasil. Conhecido por ter sido objeto de tensões e polêmicas na História recente, permaneceu por muito tempo não efetivamente aplicado. Embora as origens do Código Florestal sejam antigas, seu conteúdo nunca fez parte de um verdadeiro debate democrático, até os anos 1980. Neste período, foi visto de uma nova forma, em um momento em que as questões ambientais se tornaram uma preocupação real, em que o desmatamento da Amazônia começara a ganhar maior cobertura da mídia. Nesta tese, estudaremos o processo de institucionalização do Código Florestal, ou seja, sua transformação gradativa de uma concepção por parte do poder central e sem apoio real da população, para um desafio social e econômico compartilhado, em que cada ator (no sentido de stakeholder) procura influenciar a sua definição. Ao olhar o Código Florestal como instituição, ou melhor, ao buscar questionar se ele realmente se tornou uma, e ao se propor a observar sua história como um processo de construção social, esta tese propõe uma abordagem original do texto, e fornece um esclarecimento sobre as mudanças em curso no momento (2021). A partir de um estudo aprofundado da legislação e de uma série de entrevistas realizadas no Estado de Mato Grosso, em diferentes escalas, voltamos à gênese do Código Florestal, oferecemos uma análise detalhada do conteúdo das novas normas resultante da última reforma (2012), e avaliamos sua implementação. Embora os avanços em direção à institucionalização do texto sejam significativos, constatamos que o processo permanece inacabado por enquanto.